Rúben Micael

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Rúben Micael

Mensagem por Nuno90 em Sex Maio 21, 2010 7:03 pm

#28 Rúben Micael



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Fica aqui este espaço dedicado ao MC Portista Ruben Micael.
Abro este tópico com a mais recente entrevista deste ao jornal OJogo:

"O FC Porto foi muito prejudicado"

Rúben Micael admite que ter perdido o campeonato foi uma grande desilusão, mesmo se reconhece que, ao nível individual, a época até nem foi má, apesar da fractura no pé, que até lhe pode ter custado a presença no Mundial. No FC Porto diz ter ficado impressionado com a cultura vitoriosa que encontrou e que as pessoas do clube lidam muito mal com as derrotas para concluir que só poderia mesmo jogar de azul e branco. Apesar de o FC Porto ter perdido em Braga e na Luz, o madeirense aponta os pontos desperdiçados contra equipas teoricamente mais acessíveis para explicar o fracasso portista na corrida ao penta. Quanto à dinâmica reencontrada pela equipa com a sua entrada no onze, Rúben Micael prefere "fundir-se" no colectivo para dar explicações.

Era este FC Porto que esperava encontrar quando assinou?

Sim. Vim encontrar pessoas com uma vontade de vencer impressionante. Não existe no vocabulário do clube as palavras empatar ou perder. Quando se perde aqui, as pessoas ficam com muita azia. Fiquei muito impressionado com isso, porque vivia numa realidade diferente. Cheguei cá e vi nas pessoas a expressão de querer ganhar sempre e é o que vai acontecer na próxima época.

Na sua perspectiva, o que é que foi decisivo para o FC Porto ter deixado escapar o título?


Acho que o FC Porto foi muito prejudicado. Houve uma fase muito importante, em que a equipa podia lançar-se definitivamente e surgiram as suspensões de Hulk e Sapunaru, dois jogadores muito importantes na equipa. Depois vieram as lesões e tudo isso contribuiu para dificultar muito as coisas.

Por falar em lesões, o Rúben foi uma das vítimas. Pode dizer-se que lhe estragou a época?

Sim, sem dúvida. O pé fez com que deixasse de treinar e jogar. A do ombro, se não fosse um departamento médico tão bom como o que temos no FC Porto, sei que me ia dar mais que fazer. Sem os médicos deste clube, o contratempo teria sido bem maior e eles evitaram um situação bem pior para mim.

Que balanço faz da sua temporada no clube?

Ao nível individual não vou dizer que correu mal, acho que correu bem. Cheguei comecei a jogar e ajudei a equipa. Ao nível colectivo foi mau, porque o FC Porto não foi campeão e, nesta casa, quando não se é campeão, corre tudo muito mal.

As derrotas em Braga e na Luz, contra concorrentes directos na luta pelo título, acabaram por pesar?

Acho que perdemos o campeonato contra equipas mais pequenas. Empatamos em casa com o Olhanense, Belenenses, Paços de Ferreira... e em casa o FC Porto nunca se pode dar ao luxo de perder tantos pontos e isso penalizou-nos muito, foi mau perder muitos pontos contra equipas, digamos que mais acessíveis.

Quando o Rúben Micael chegou ao FC Porto notou-se um salto qualitativo no futebol praticado pela equipa, que começou a jogar melhor. Como é que explica isso?

Não há explicação, o FC Porto contratou-me porque tinha em mente que vinha ajudar e foi isso que tentei fazer, foi ajudar a equipa.

Mas tem a noção que a sua entrada na equipa coincide com um FC Porto capaz de desenvolver um futebol mais organizado e de tomar a iniciativa de jogo com outros argumentos?

Não gosto de falar de mim. O mais importante é a equipa e na altura houve jogadores que subiram muito de rendimento, o que tornou tudo mais fácil, porque sozinho não poderia ter feito nada.

Mas concorda que o Rúben veio trazer algo que faltava à equipa, senão não era titular logo de entrada?

Não vou dizer que não, mas foi por isso que o FC Porto me contratou, porque estava a fazer um bom trajecto no Nacional.

O meio-campo acusou muito a saída de Lucho, não havia um jogador que preenchesse de uma forma satisfatória as suas funções. O Rúben colmatou essa lacuna no plantel?

Não acho que houvesse lacunas no plantel, porque o FC Porto tem bons jogadores no meio-campo, até antes da minha chegada...

Tem bons jogadores, mas para funções diferentes...

Sim, mas por exemplo, o Belluchi tem muita qualidade, o Guarín mostrou o seu valor na última parte do campeonato. São coisas que acontecem e o FC Porto não estava a passar por um bom momento nessa altura, não vim com a intenção de substituir o Lucho, que é um excelente jogador. Tenho características próprias e é como eu disse, a minha única preocupação foi ajudar a equipa.


"Quando cheguei cá, queria marcar, fazer tudo e se calhar não foi bom"

Antes de se estrear a marcar com a camisola do FC Porto, parece que se notou uma certa ansiedade e até falhou alguns golos...

Não sei se foi isso, o mais importante era a equipa. Sempre disse que se tivesse um colega ao lado preferia que fosse ele a marcar, assisti-lo, porque tem mais que ver com a minha posição e as minhas funções em campo. Agora, houve algumas situações em que se tivesse tido aquela calma como tive contra o Nacional em que marquei e a partir dali libertei-me para fazer golos, tinha marcado mais cedo, mas na próxima época espero que corra melhor. Quando cheguei cá queria mostrar, queria marcar e fazer tudo ao mesmo tempo e se calhar não foi o ideal. De resto, o primeiro golo demorou, mas chegou e foi bom.


"Não teremos desculpas para não vencer a Liga Europa"

Mesmo confessando a desilusão por não jogar na Champions, o madeirense garante que não haverá desculpas por jogar a meio da semana, aludindo ao que aconteceu com o Benfica, esta temporada, e apontou uma vitória na final, como objectivo.

É uma desilusão para si ter assinado pelo FC Porto a pensar também na Liga dos Campeões e acabar na Liga Europa?

Tinha sempre a expectativa de vir para o FC Porto e de, com isso, ser quase inevitável jogar na Champions. Fiz dois jogos e foi espectacular, porque é completamente diferente de jogar a Liga Europa. Agora é uma desilusão porque queria ser campeão, mas vai ser bom jogar na Liga Europa e será mais um título que o FC Porto quererá vencer.


"É diferente vencer estando em campo"

Estando lesionado, já se sabe. Foi difícil para si viver a final da Taça de Portugal por fora?

Foi muito difícil sim. É diferente. Tinha a expectativa de fazer uma boa recta final, estava a voltar ao meu nível antes de partir o dedo do pé, porque tinha a expectativa de ir à Selecção, não vou estar a ser mentiroso.

Depois, jogar uma final e ganhar é fantástico. No dia do jogo tinha comentado que na época passada tinha sido eliminado nas meias-finais na Madeira e este ano tinha oportunidade de jogar a final e acabaram por ser duas épocas seguidas em que perdi a oportunidade de jogar no Jamor. É claro que os meus companheiros venceram e ainda bem, mas é diferente de estar ali dentro e vencer em campo. Se fosse por opção do treinador, agora não poder jogar por causa de uma lesão é muito complicado.


"Disse que se não fosse para o FC Porto nem valia a pena falarem comigo"

Há dias, um jornal noticiou que o presidente do Benfica teria chegado a acordo para a sua contratação, mas que ela acabou por ser vetada pelo treinador Jorge Jesus. Foi assim? Soube desse acordo?

Isso é completamente mentira. Ninguém falou comigo ou com o meu empresário sobre isso. O presidente do Nacional, na altura, nunca disse que tinha chegado a acordo com algum clube. O que aconteceu foi que, na altura, se falava de muita coisa e eu pedi uma reunião com o presidente do Nacional, ele pode confirmar isso. Conversei com ele e disse-lhe que queria ir para o FC Porto e para mais nenhum clube. Podem ligar para ele para confirmar. Havia outras propostas e ele sabe disso e, na altura até para acabar com tantas especulações, disse-lhe que queria o FC Porto, se não fosse para o FC Porto, nem valia a pena falar comigo. Mas acho estranho que tenham falado nisso, porque quem fez o plantel do Benfica, segundo dizem os jornais, foi o presidente juntamente com o Jorge Jesus e acho estranho que o presidente do Benfica pudesse partir para negociações com um jogador, sem conversar com o treinador. Há qualquer coisa de errado, mas quem escreveu lá deverá saber. Tinha havido uma abordagem do Benfica antes disso, muito antes, mas nunca tinham chegado a acordo. Mas eu queria jogar no FC Porto. Havia outras possibilidades no estrangeiro para ganhar mais dinheiro ainda, mas eu disse-lhe que era no Porto que queria jogar.


"O Benfica foi forte nos túneis dentro de campo e fora dele"

O que é que se passou no túnel da Luz, quando ainda era jogador do Nacional?

Já respondi a isso várias vezes, mas não deixa de ser interessante constatar que até os jornalistas sabem que o Benfica ganhou o campeonato nos túneis (risos)...

[/b]Não, quem tem falado nisso, a cada passo, é o presidente do FC Porto...[/b]

Se fosse um campeonato normal, ninguém falava nos túneis. Não sou só eu, nem os dirigentes do FC Porto que falam nisso, são os jornalistas que falam disso...

São coisas que saíram cá para fora durante a época....

Sim, mas falam no que aconteceu na Luz com o Nacional e com o FC Porto e ainda no que aconteceu em Braga. Se os jornalistas falam tanto disso, é porque foi mesmo o campeonato dos túneis. O Benfica foi muito forte este ano, foi muito forte dentro do campo, foi muito forte dentro dos túneis e foi muito forte fora do campo, acho que está de parabéns. O FC Porto tentou contrariar dentro do campo, porque fora do campo e dentro dos túneis não há maneira, só a Liga.


"Contra o Arsenal não fomos jogadores à FC Porto"

A Champions deixou marcas positivas em Rúben Micael, mas também foi em Londres, nos oitavos-de-final, que o FC Porto terá realizado a sua pior exibição da temporada. Acha que a crítica foi justa com o FC Porto?

Não, não acho. Foram muito injustos. Há coisas impressionantes que aparecem escritas nos jornais, sem que as pessoas tenham a mínima ideia daquilo que se está a passar. Mas houve muitas situações que foram ressentidas no balneário. Até dói ver certas coisas que deixaram os jogadores tristes.

E da parte dos adeptos?

Depois do nosso pior jogo, a seguir à derrota com o Arsenal, alguns adeptos não esconderam a sua revolta, mas é sinal que querem ver a equipa a vencer sempre. Nós até encaramos isso da melhor maneira e compreendemos o desejo deles, porque mais ninguém quer ganhar mais do que os próprios jogadores. Nessa altura vimos a revolta deles...

Que é que aconteceu nesse jogo?

Não fomos jogadores à FC Porto, não jogámos como a equipa costuma jogar, com aquela garra.

Mas tudo saiu mal nessa noite. Sofremos o primeiro e quisemos ir para cima deles para marcar, mas o Arsenal, com a qualidade que tem, aproveitou bem os espaços que concedemos e foi eficaz nas oportunidades que criou.

O Arsenal mostrou os limites da equipa?

Não há limites, nem no futebol, nem na vida. Ninguém pode falar disso, porque podemos sempre superar os limites. O que nós sentimos foi uma enorme vergonha após o jogo.


"Evoluí muito com Jesualdo nos últimos três meses"

Fala-se na hipótese de Jesualdo Ferreira sair. Como é trabalhar com ele?

Aprendi com ele, em três meses, coisas que só um treinador inteligente como ele é que me poderia ensinar, até pela experiência dele e pelo que se conhece do Jesualdo ao nível da formação. Evoluir com ele é muito bom e em três meses senti mesmo a diferença. Ele tinha o cuidado de me dizer em que aspectos eu podia melhorar. Metia aquilo na cabeça e depois, quando via alguns jogos em casa, percebia aquilo que ele me ensinava nos treinos. Assim é mais fácil para um jogador. Foi fantástico trabalhar com ele três meses, porque a seguir lesionei-me.

Mas como encara o futuro sem ele?

Não sei se é sem ele. A Direcção é que vai decidir isso. O que eu sei é que no FC Porto a perspectiva é sempre a mesma e passa por ganhar. O Mourinho foi campeão europeu, depois de ganhar a Taça UEFA; antes tinha sido campeão nacional. Mas depois dele voltaram a ganhar e acho que a cultura deste clube, nos últimos 30 anos, foi sempre nesse sentido.

Se Jesualdo Ferreira acabar por deixar o FC Porto. Preferia um treinador português ou estrangeiro?

A Direcção é que sabe o que vai fazer. A nós jogadores só nos compete jogar à bola e dar o máximo.

Agora que digeriu o deslumbre de ingressar no FC Porto, acha que vai partir em vantagem na próxima temporada?

Claro, porque quando estamos calmos tudo corre melhor, é mais fácil jogar. Não há a preocupação de fazer isto e aquilo, porque temos mais olhos em cima de nós, sai tudo mais naturalmente.

O Zidane da Maneira, como lhe chamam, já mostrou o que tinha para mostrar, ou esta época foi só um cheirinho?

Todos os treinos e todos os jogos, a perspectiva é melhorar. Não há um jogador - quando o diz está errado, na minha opinião - que não tenha mais nada para mostrar e que possa dizer que já evoluiu tudo o que tinha para evoluir. Todos os dias aprendemos e todos os dias podemos mostrar que queremos e que podemos fazer sempre mais e melhor.


"Claro que tinha a esperança de ir ao Mundial"

Apontado como sucessor de Deco, Rúben Micael era um dos jogadores que estavam nos pré-convocados de Carlos Queiroz, mas as lesões, em especial a fractura no pé direito, acabaram por ser decisivas e afastá-lo da recta final da temporada e de um grande sonho.

Acha que sem as lesões poderia estar hoje de partida para o estágio da Selecção Nacional?

Sim, porque não? Mas isso era como estarmos a dizer que com Hulk e Sapunaru poderíamos ter sido campeões. Isso ninguém pode adivinhar. É o se...

Mas alimentava esperanças de ser chamado por Carlos Queiroz, não?

Sim, até porque estava pré-convocado, por isso tinha esperança de ir ao Mundial, aliás como todos os outros que tinham sido pré-convocados.

O facto de o apontarem como um dos sucessores de Deco, responsabiliza-o?

Quero é poder treinar e jogar no FC Porto e depois, se puder ir à Selecção e representar o meu país, vou tentar fazer o melhor, mas o Deco não é substituível. Ele ajudou muito Portugal e o FC Porto e vai ficar sempre na história por isso. Agora, cada um tem a sua forma de jogar e ele é um grande jogador, mas há outros em Portugal para essas funções, não é só o Rúben Micael.


Última edição por Nuno90 em Seg Ago 23, 2010 7:03 pm, editado 2 vez(es)

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Re: Rúben Micael

Mensagem por playah em Sex Maio 21, 2010 7:05 pm

Muito humilde, espero coisas muito boas dele na próxima época. Se quiseres a entrevista que ele deu, já não me lembro a que jornal, antes da lesão, diz.


Última edição por playah em Sex Maio 21, 2010 9:26 pm, editado 1 vez(es)

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Re: Rúben Micael

Mensagem por submundo em Sex Maio 21, 2010 7:08 pm

Espero muito dele na próxima época. Estou confiante.

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Re: Rúben Micael

Mensagem por Nuno90 em Sex Maio 21, 2010 7:09 pm

Nem precisas pedir Razz É só colocar. Very Happy O tópico é para isso mesmo a malta ir falando de eventuais situações relativas ao jogador (lesões, momento de forma, etc) e ir partilhando entrevistas e afins. Não tem que ficar tudo na primeira página. Wink

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Re: Rúben Micael

Mensagem por playah em Sex Maio 21, 2010 7:15 pm

Entrevista à Revista “Dragões” Fevereiro de 2010

Rúben não é cliché. Não se lhe descobre traço de personalidade ou sinal exterior que o aproxime do protótipo do futebolista moderno. Despreza automóveis de alta cilindrada, ignora o estrelato, não ostenta uma tatuagem, por mais pequena e discreta que seja, nem se faz preceder do aroma intenso de um qualquer perfuma da moda. Nada disso faz o seu género. O estilo de quem endeusou Zidane é único. É vencer lutando. No relvado como faz na vida. Fintando a fome, driblando o destino, escapando à construção civil. Numa viagem de duas décadas, que oscila entre a escassez e a fartura, não falta espaço para as tropelias que exasperaram o motorista do União da Madeira ou para as emoções ímpares proporcionadas pela estreia na UEFA Champions League.

P. – Já teve coragem de admitir que viu a fome muito de perto. De que forma as privações enquanto criança pesaram na formação do carácter do jogador agora maduro?
R.M. – Foram determinantes. Não tive uma infância fácil nem foi muito agradável perceber que os meus amigos tinham doces, roupas e brinquedos que simplesmente não entravam lá em casa. Isso desenvolveu em mim e nos meus irmãos uma espécie de defesa, que não era de revolta, nem resignação.

P. – O que era então?
R.M. – Não sei explicar exactamente o que era. Talvez algo entre os dois sentimentos. Só sei que nos fez mais fortes e determinados. Desenvolvi, desde muito cedo, a capacidade de reconhecer valor às mais pequenas coisas.

P. – Que mantém mesmo na hora do êxito?
R.M. – Mais do que nunca, porque daqui a uns dez anos acaba-se o futebol para mim. Ou poupo agora e não me deslumbro com este meu novo mundo, ou corro o risco de, mais tarde, experimentar as mesmas dificuldades de infância, de reviver os meus primeiros 12 anos de vida.

P. - O que mudou nesta altura?
R.M. – O meu irmão mais velho começou a trabalhar e o meu padrinho também ajudou imenso. A partir daí, o dinheiro passou a esticar até ao final do mês

P. – Quem o conhece diz que tem uma personalidade muito forte, que pode, inclusive, ser um pouco teimoso. É verdade?
R.M. – Não, não posso ser um pouco teimoso. Posso ser muito teimoso. Quando sei que tenho razão, vou até ao limite.

P. – Os seus novos colegas de equipa já tiveram a oportunidade de conhecer essa sua faceta?
R.M. – Já.

P. – Em que situação?
R.M. – Não sei se posso contar isto, mas todos os jogadores que chegam ao FC Porto têm de pagar um jantar a todo o plantel. Obviamente não achei muita piada à tradição e fui logo falar com o Nuno e com o Bruno Alves. Expliquei-lhes que, por princípio, não consigo imaginar-me a gastar um pequena fortuna num jantar e que não o podia bancar sozinho. Eles prometeram arranjar uma solução.

«Se não fosse futebolista, estava nas obras»

P. – Paixão é jogar a bola de manhã à noite?
R.M. – Era assim em criança, era doido por bola. Quando gostas de algo realmente a sério não te cansas. Praticas, praticas, praticas… Nem olhas para o relógio. Quando te apercebes já é noite.

P. – Mas hoje quem o procurar fora dos horários de jogos e treinos encontra-o em casa, certo?
R.M. – Certíssimo. Sou do mais caseiro que há. Entendo que, nesta actividade, o descanso é fundamental. Depois do treino, é a parte mais importante do meu trabalho. E eu só sei levar o futebol a sério. Se passar o dia inteiro no shopping ou no café, dificilmente conseguirei estar bem no treino do dia seguinte.

P – O que demonstra como vão longe os tempos em que a confusão se instalava assim que entrava no autocarro do União da Madeira para ir aos treinos…

R.M. – Sim. Defendia os meus amigos até à exaustão e, uma vez juntos, podíamos ser terríveis. Além disso, tínhamos um prazer quase especial em implicar com o motorista do autocarro. Houve uma certa vez em que ultrapassamos todos os limites e fomos repreendidos um por um. Com a minha mania de defender tudo e todos, fui eu que dei a cara.

P. – Foi aí que o motorista vos obrigou a sair do autocarro, deixando-vos a meio do caminho?
R.M. – Exactamente. Dessa vez excedemo-nos. Deixou-nos no meio da rua e foi preciso vir outra carrinha buscar-nos.

P. – Que maldade foi essa?
R.M. – Para variar, até não estávamos a meter-nos com ele, mas um de nós, já não sei bem quem, atingiu-o, acidentalmente, com uma casca de laranja mesmo na cara. É claro que fomos todos advertidos pelo responsável das camadas jovens, tivemos de pedir desculpa ao motorista e prometer que aquilo não se repetia. Na altura, tinha 14 anos. Hoje dou-me muito bem com o sr. Paulo.

P. – Quando começaram a chamar-lhe Zidane?
R.M. – Não sei exactamente quando, mas isso é da responsabilidade do Rúben Andrade e do Diogo Costa, que jogavam comigo no União. Eles sabiam o quanto eu admirava o Zidane. Não tinha nenhum poster dele, nem em casa, nem no balneário, mas ver um jogo dele na televisão era o suficiente para salvar o fim-de-semana. Era um privilégio. Vai ser sempre uma referência para mim. Nunca vi um jogador com tanta calma e classe a jogar. Era simplesmente extraordinário.

P. – Tem consciência de que o futebol mudou o seu destino?
R.M. – Mudou a minha vida por completo, porque lutei muito para o conseguir.

P – Se não fosse futebolista, o que seria?
R.M. – Em vez de estar a dar esta entrevista, muito provavelmente estaria a trabalhar nas obras. Da minha geração, poucos deram jogadores. E dos que deram, só três, contando comigo, estão em equipas da Liga. Os outros trabalham na construção civil. Ali só há duas saídas profissionais: ou jogas ou vais para as obras.

P. – O Rúben joga, mas não tem um automóvel de alta cilindrada…
R.M. – Continuo a não ser capaz de gastar mundos e fundos na compra de um carro. Para mim, é um disparate completo. Nem me dou ao luxo de pensar na simples hipótese de o fazer.

P. – E as tatuagens, tão na moda, fez alguma?
R.M. – Não. Isso não é para mim. Os meus colegas têm imensas, mas nenhuma delas faz o meu estilo.

«Não acredito nos que dizem que não têm nada a provar»

O seu discurso insiste repetidamente na necessidade de «ter cabeça» para se poder ter êxito no futebol e, não há muito tempo, Jesualdo Ferreira disse que o Rúben é um jogador inteligente.

P. – Que comentário lhe merece a observação?
R.M. – Fico contente, é sempre bom ouvir elogios do treinador.

P. – Isso motiva-o mais?
R.M. – Tenho a minha própria motivação. Agradeço, mas hoje não seria ninguém se dependesse de elogios, merecidos ou não, do treinador ou de outras pessoas para me motivar. Não me parece que alguém que funcione assim esteja no melhor caminho, Nem acredito naqueles que dizem que não têm nada a provar. Isso é mentira. Se fizer um jogo mau, tenho que fazer um bom logo a seguir. Comigo é assim. Até nos treinos.

P. – Já comprou a casa que prometeu à sua mãe?
R.M. – Ainda não, mas estou atento. Dentro de seis meses ou um ano, a minha família vai poder mudar de casa.

P. – Mas a sua mãe diz que não quer mudar…
R.M. – Eu dou-lhe a volta.

P. - Tem noção de que o jogo do FC Porto evoluiu com a sua chegada?
R.M. – É mentira. Nesta ou noutra equipa, não faço nada sozinho. A equipa aumentou de produção e facilitou a minha integração.

P. – Mas admite, pelo menos, que encaixou facilmente na equipa, jogando e fazendo jogar?
R.M. – Admito que os meus companheiros de equipa facilitaram imenso o meu trabalho. Afinal, estamos a falar de um grupo de campeões. E com campeões é fácil jogar.

P. – A estreia na UEFA Champions League, logo frente ao Arsenal, é um dos momentos da sua carreira que terá o cuidado de não esquecer?
R.M. – Como poderia esquecê-lo? Ainda por cima ganhamos. Os primeiros cinco ou dez minutos são sempre muito especiais. Já estava à espera daquele nervoso miudinho inicial. Não se pode contorná-lo, mas pode-se vencê-lo.

P. – Agora no FC Porto, vai ser mais fácil chegar à Selecção e ao Mundial de África do Sul?

R.M. – Vamos ver. Vou trabalhar e aguardar. Mas as pessoas responsáveis já devem ter percebido que aquilo que faço no FC Porto também conseguirei fazer na Selecção

Xavelha, com muito gosto

Rúben é xavelha. Di-lo com orgulho e um sorriso que persiste para lá da crua explicação, antes de frustrar todas as expectativas sobre o potencial humorístico da designação. «Xavelha é apenas uma pessoa de Câmara de Lobos», esclarece. Responde ainda por outros nomes. Chamam-lhe Zidane da Madeira e até argentino, alcunha que não coloca em risco a nacionalidade portuguesa e se explica na rivalidade entre dois bairros sociais, que recria, apenas na denominação, a Guerra do Atlântico Sul, entre Inglaterra e Argentina, pela soberania das Ilhas Malvinas, que emprestam o nome à zona habitacional mais próxima.
À mesa, prefere pasta. «Faço as refeições à base de massa, que é o que eu mais gosto». Prepara-as a namorada, que, em vão e ainda na Madeira, quis iniciar Rúben na cozinha italiana. «Não consegui. Tentei, mas não tenho o menor jeito». O que, a avaliar pela gargalhada, não lamente de todo. Já experimentou a francesinha, que aprecia, mas mantém a espetada madeirense no topo dos seus pratos predilectos. «Ganha, de longe, à francesinha», sentencia.
Sobre a família Ressurreição não é fácil estabelecer uma conversação sem falar de bola. Cláudio, o mais velho dos sete irmãos de Rúben, o mesmo que o levou a treinar ao Estreito quando tinha apenas cinco anos, é avançado do Caniçal. «Já leva 15 golos, que é uma marca muito boa, especialmente para a III Divisão», observa o médio Portista. Vanessa é voleibolista do Câmara de Lobos e futebolista do Xavelhas, clube fundado em 2002.

Nome: Rúben Micael Freitas da Ressurreição
Data de nascimento: 19 de Agosto de 1986
Naturalidade: Câmara de Lobos
Nacionalidade: Portuguesa
Posição: Médio
Altura: 1,76 metros
Peso: 70 quilos
Clubes anteriores: Estreito, União da Madeira e Nacional

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Re: Rúben Micael

Mensagem por Peplin em Sex Maio 21, 2010 7:19 pm

"Contra o Arsenal não fomos jogadores à FC Porto"

Esta frase demonstra que o Rúben, em pouco mais de 5 meses de FCPorto, já sabe o que é o FCPorto.

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Re: Rúben Micael

Mensagem por Nuno90 em Sex Maio 21, 2010 7:22 pm

Ele é daqueles que se dizer que é do Porto desde pequenino eu acredito. Mr. Green

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Re: Rúben Micael

Mensagem por dekap em Sex Maio 21, 2010 9:03 pm

Micael um grande jogador, a Porto Prayer . Espero que continue ca por muito tempo.

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Re: Rúben Micael

Mensagem por Tifosi1893 em Sex Maio 21, 2010 9:11 pm

Grande entrevista ao Jogo de hoje, em grande Ruben.

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Re: Rúben Micael

Mensagem por Admin em Sex Maio 21, 2010 9:12 pm

Grande entrevista mesmo, é essa a mentalidade pretendida

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Re: Rúben Micael

Mensagem por Kloviz em Sex Maio 21, 2010 10:53 pm

submundo escreveu:Espero muito dele na próxima época. Estou confiante.

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Re: Rúben Micael

Mensagem por PedroM14 em Sab Maio 22, 2010 8:53 am

_-The_Matrix-_ escreveu:Grande entrevista mesmo, é essa a mentalidade pretendida


Estou na esperança que atinja um nivel igual ou superior a que chegaram Lucho e Lisandro

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Re: Rúben Micael

Mensagem por Nuno90 em Sab Maio 22, 2010 2:11 pm

2x

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Re: Rúben Micael

Mensagem por DiNgO_BoSS em Dom Maio 23, 2010 1:18 am

grande ruben. é da minha cidade e basta Prayer 8-)

ainda nao tinha lido essa entrevista. gostei da hulmidade demonstrada

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Re: Rúben Micael

Mensagem por Nuno90 em Dom Maio 23, 2010 1:25 am

Dos gajos com mais juízo que veio cá parar desde o Lucho...

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